Sweet Tooth (traduzido como “bico doce” no Brasil) é uma série de fantasia e ficção científica baseada em uma HQ famosa da DC Comics (pelo selo Vertigo), de mesmo nome. Está disponível na plataforma Netflix desde 4 de junho do presente ano, tendo sido criada por Jim Mickle e Beth Schwartz

Como parte da equipe de desenvolvimento, tem-se os seguintes produtores executivos: Amanda Burrell e Linda Moran. Além delas, há a dupla composta pelo casal Downey, com o ator e cantor Robert (Homem de Ferro) e a escritora Susan (Sherlock Holmes). 

O foco da postagem será no longa, mas vale uma nota sobre o autor da HQ, chamado Jeff Lemire. Ele tem mais de quinze anos de carreira praticamente e é um artista eclético, com várias obras constando o nome dele, seja como roteirista e/ou ilustrador. 

Alguns dos títulos que merecem atenção são Black Hammer, Descender, Royal City, Lost Dog, trilogia Condado de Essex e O soldador subaquático. Inclusive, algumas delas ganharam adaptações televisivas também. 

Tudo isso, juntamente de Sweet Tooth, indica um pouco do sucesso e da capacidade de produção do escritor. Por isso, fica a indicação de leitura, mas por agora o tema será o longa. 

Lembrando que a classificação indicativa é para maiores de 14 anos e que tem legenda e dublagem em português habilitadas. Vale destacar também que a série ocupou o topo da Netflix durante várias semanas e foi bem vista pela crítica, ficando com 98% no Rotten Tomatoes.

Sweet Tooth e a ficção pós-apocalíptica

A história da série acompanha o protagonista Gus (Christian Covery), um menino-cervo híbrido. Ele vive em um futuro pós-apocalíptico, resultado de um evento chamado “Grande Colapso”

Tal acontecimento disseminou o “flagelo” pelo mundo, que é um vírus mortal e trouxe várias catástrofes consigo. Além disso, surgiu no mesmo momento em que nasciam bebês que eram meio-humanos e meio-animais.

Sem saber como lidar com a situação e com dúvidas sobre os híbridos serem a causa ou o resultado do vírus, muitas pessoas passaram a vê-los como inimigos. Com isso, sentimentos como medo, ameaça, vingança e sobrevivência ficaram mais vivos do que nunca. 

Aprender a se proteger e a escapar da caçada vira uma necessidade, assim como fugir para não virar um experimento científico. Vale recordar que alguns híbridos são mais desenvolvidos que outros e apresentam características diferentes (asas, pelos, focinhos…), então a batalha acaba sendo menos ou mais dura para cada um.

Um grupo de exploração improvável

No caso de Gus, o início foi tranquilo, já que viveu protegido em uma casa isolada, localizada na floresta, ao lado de seu pai, Pubba (Will Forte). Mesmo assim, vez ou outra apareciam questionamentos: “existem outros como eu?”, “por qual motivo não posso ir lá fora?”. E demais reflexões que partiam do jovem híbrido.

E, posteriormente, Gus teria respostas para algumas dessas perguntas, mas não imaginava a aventura que viveria para consegui-las. Muito menos as pessoas que ele iria conhecer no caminho, como o nômade e solitário Jepperd (Nonso Anozie) ou a adolescente Ursa (Stefania LaVie Owen), que defende os híbridos e o seu poder para equilibrar a Terra junto de uma facção adolescente, em que é a líder. 

Juntos, vão tentar descobrir os segredos da sociedade atual, bem como procurar pela mãe de Gus, interpretada por Amy Seimetz. Uma trama sobre passado, presente e futuro, com origens misteriosas e perigos à espreita, mas sempre com uma fagulha de esperança em relação ao amanhã. 

A título de curiosidade, segue um infográfico que resume de maneira ilustrada o que foi abordado acima — só clicar para ter acesso.

Alguns dos encantos açucarados de Sweet Tooth

Um dos atrativos da série é a narração. Sim, o drama de Sweet Tooth é acompanhado pelas palavras de um narrador, o que traz mais emoção para as cenas futuras e acrescenta um ar poético para cada episódio. O bom é que as frases não pecam em exagero e são ditadas com uma entonação correta, tornando-as marcantes.

Outro aspecto que influencia bastante na carga emocional são as cores utilizadas. Todas elas de forma bastante intencional. É possível perceber, por exemplo, a tendência dos tons terrosos e arenosos, como laranja e marrom. Essa combinação dá ênfase nas questões climáticas e ambientais, acentuando o “fim dos tempos”.

Também há a ideia de cor quente associada ao laranja, podendo ser verificada em ocasiões intimistas. Isso pelo fato de que há uma sensação de conforto nas relações estabelecidas pelo protagonista Gus. Nota-se uma vivacidade quando ele está perto das pessoas por quem tem estima. Então o significado e a variação dos tons acaba sendo interessante de se observar.

E é claro, para formar o combo ideal, falta apenas a trilha sonora. A verdade é que há uma única palavra para defini-la: perfeita. Todas as músicas casam com a situação em tela, bem como tornam a fotografia ainda mais viva e emocionante. A natureza parece despertar completamente quando acompanhada das melodias escolhidas, destacando-se o gênero indie (com artistas como Of Monsters and Men, BANNERS, River Whyless e outros).

É uma aventura que merece ser vivida

Em termos de figurino, o resultado é a simplicidade. Visuais um tanto quanto comuns, exceto no que diz respeito ao Animal Army e aos híbridos. O primeiro se trata de uma facção formada por crianças órfãs que gostariam de fazer parte da nova espécie, então se vestem de animais e os defendem. Já, o segundo, é sobre a vontade de criar um ar de realidade, sem que ficasse exagerado ou feio.

As criaturas e as características delas foram esmiuçadas com bastante cuidado, tornando o novo universos bastante palpável. Passa a concepção de uma realidade existente e não de algo totalmente sem sentido. Até mesmo pelas explicações oferecidas posteriormente.

Assim, uma coisa leva a outra, fazendo com que cada detalhe tenha um impacto relevante para a obra, de modo a oferecer várias pinceladas de realidade para a história. Inclusive nas críticas realizadas, algumas delas voltadas para meio ambiente, outras para relacionamentos familiares… e demais tópicos.

Nesse sentido, vale destacar que as reflexões aparecem de forma mais sutil e mais otimista na série. No entanto, na HQ o ar é mais sombrio e de terror, então é interessante conferir as duas mídias, principalmente para quem for fã do gênero. Fora que fiquei muito curiosa pela leitura depois de terminar a primeira temporada — e acredito que mais pessoas se sentirão da mesma maneira.

Basta explorar a plataforma Netflix e acessar a página da série

Em relação ao elenco, resta apontar para o fato de que cada um cumpriu o seu papel com maestria, merecendo destaque o General Abbott (Neil Sandilands). Ele é o vilão do longa e acredito que tenha a atuação que mais exija um diferencial nas expressões.

Em relação aos outros, tinha-se o básico e um pouco além. Logo, estabeleceram fortes conexões com o espectador e entre eles. Tanto os personagens principais quanto os secundários tiveram o seu charme e conquistaram de alguma maneira. Seja com a história de fundo ou com a personalidade, ganhando a torcida ou o rancor de quem estava acompanhando.

Para finalizar, um vídeo recheado de fofura, com o objetivo de terminar de convencer quem está lendo. Aqui você confere o Christian Convery (Gus) experimentando brigadeiros pela primeira vez. E olha a camisa que ele está usando (do clube de futebol do Atlético Mineiro)!

Como não correr para assistir Sweet Tooth depois disso?! Como?!

Caso ainda não seja suficiente, deixo outro vídeo para vocês. Esse foi inspirado nas propagandas dos anos 1990, referente à empresa italiana chamada Parmalat, que vestia as crianças com roupas de bichinhos. E não para por aí: veio com o objetivo de anunciar a confirmação da segunda temporada (sem data de estreia ainda, mas contará com oito episódios e cada um terá duração de uma hora).

É isso, queridos leitores. Tem tanta fofura envolvendo Sweet Tooth que nem dá para acreditar que a temática da série também puxa para assuntos pesados e atuais. Da minha parte a dica é a recomendação, por isso assistam e tirem as próprias conclusões o quanto antes.

Lembrando que não se trata de uma história inovadora ou surpreendente, mas consegue encantar e ter suas marcas únicas mesmo assim.

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